quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Introdução

“o fato de terem acontecido não os torna históricos, para que haja acontecimento é necessário que este seja conhecido através da lógica do espetáculo[...]. Os mass media fizeram da história uma agressão e tornaram o acontecimento monstruoso. Não porque sai, por definição, do ordinário, mas porque a redundância intrínseca ao sistema tende a produzir o sensacional, fabrica permanentemente o novo, alimenta uma fome de acontecimentos” (Nora, 1979, p.181 -183).

O mundo moderno possui uma característica intrigante: a super abundância de informações e, paralelamente, uma desinformação crônica. Intrigante justamente por paracer impossível. No entanto, não é. Mas como receber informações e mesmo assim ser desinformado? Bom, enquanto em outros tempos a informação era restrita, hoje lidamos com uma avalanche de informações. Seja por meio do site, do blog, fotolog, twiiter e uma infinidade de veículos, o mundo é bombardeado de notícias que são publicadas pela mídia até o surgimento de outra mais impactante. Essa desinformação crônica surge da imensa quantidade de notícias passam despercebidas, ou mesmo da leitura superficial que é feita do que é publicado.O acontecimento é produzido e massificado. Dessa forma, ela dita o que deve ser notícia e o que deve ser descartado, esquecido. Não informar e não produzir nada sobre é uma posição política. Da mesma maneira que dar ênfase a um determinado assunto é uma escolha. Nessa escolha surgem os grandes acontecimentos que devem ser lembrados.

O "Acontecimento Monstruoso" surge como produto da mídia. Propagado e fabricado ele é um reflexo das estruturas da sociedade e agente de suas mutações.
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Ao historiador, sinaliza Nora, não é o acontecimento, sobre o qual não se tem qualquer poder, que interessa, mas o duplo sistema que se nele entrecruza: sistema formal e de significação. A análise formal conduz espontaneamente a análise da significação, o historiador do presente não faz outra coisa senão perseguir significações no processo contínuo de produção em massa de acontecimentos pela mídia. Ao realizar esta tarefa opera no presente com a multiplicidade do tempo histórico. O acontecimento é um indício a partir do qual se pode desvendar a forma como as sociedades históricas se relacionam com o seu passado e projetam o seu futuro é “a ponta de um iceberg” (Bosi, 1992) que indica a existência de um conjunto de relações e representações sociais cuja dinâmica temporal se condensa no tempo presente." ( MAUAD, 2003, p.5).

Bibliografia:

NORA, Pierre. “O retorno do fato”, IN: NORA, P. & LE GOFF, J . História: Novos
problemas, Reio de Janeiro: Francisco Alves, 2ª edição, 1979

MAUAD, ANA M. Dimensões do Presente: Palavras e Imagens de um Acontecimento, Os Atentatdos ao World Trade Center e ao Pentágono. Primeiros Escritos. Rio de Janeiro: LABHOI, 2003. n 9.

Análise das Capas de Jornais do Dia 12 de Setembro

Com base na dissertação de mestrado de Deodoro José Moreira que trabalha com 58 capas de jornais do mundo inteiro dividindo-as em cinco grupos de acordo com suas manchetes, proponho uma breve análise dessas capas relacionando-as com temas abordados em sala de aula no estudo da disciplina “Narrativa e Guerra”. É valido apontar que os jornais utilizados são das mais diversas partes do mundo e que não há uma tendência ou um padrão de manchetes que leve a divisão desses jornais por países, ou seja, opiniões expressas por jornais estadunidenses, alemães, brasileiros e até mesmo árabes podem ser bem parecidas.

Em meio à efervescência dos acontecimentos do 11 de setembro, alguns jornais do dia seguinte apontam terroristas como os causadores dos ataques. É certo que no mesmo dia do evento, o governo de George W. Bush já houvesse atribuído a culpa a grupos terroristas liderados por Osama Bin Laden mas, a posição que alguns jornais tomaram diante dos fatos foi de julgamento e acusação desses terroristas que para eles eram sem dúvidas os “vilões”, mesmo que nada ainda tivesse sido provado. É por isso que devemos repensar se pode haver imparcialidade na cobertura jornalística. Também podemos encarar essas opiniões impactantes dos jornais como recursos de marketing, para chamar a atenção do leitor e suprir a “necessidade investigativa” que cabe aos jornalistas de encontrar um responsável pelos ataques naquele momento.

Parte desses jornais também colocam os norte-americanos na condição de vítimas. Como em muitas produções Hollywoodianas, o americano é o “mocinho”, o exemplo de civilidade, de moralidade, honestidade, enquanto o estrangeiro, neste caso o árabe, é o “bandido”, aquele que vem transformar a ordem em caos. Cabe lembrar que nos filmes, o americano sempre passa da condição de vítima para a de herói, que combate com o bem, ou até mesmo com a guerra, as forças do mal.

Algo que chama a atenção nas fotos é a ausência de mortos. As vítimas aparecem cobertas de pó, chorando, rezando, assustadas mas, e os mortos? Será que os fotógrafos evitaram o sensacionalismo ou até mesmo marcas de sangue estavam difíceis de se encontrar? As pessoas que se jogaram das torres do World Trade Center não foram fotografadas ou essas fotos não foram divulgadas? Talvez essa escassez de imagens mórbidas, tão comuns em outras guerras se deve à censura de tais imagens para que os EUA não fossem vistos como derrotados, fragilizados e vulneráveis diante do mundo.

Um sentimento comum do 11 de setembro permaneceu durante os dias que se seguiram e os jornais que se preocuparam com o aspecto político abordaram a questão: retaliação. O mundo aguardava pela notícia de que a qualquer momento se desenrolasse uma guerra de conseqüências catastróficas. Se falava em terceira guerra mundial e até no fim dos tempos. O que se sabia é que ninguém estava seguro pois, depois de ver a maior potência mundial virando pó diante de nossos olhos, tudo seria possível a partir dali.

Oito anos após os atentados o tema ainda é tão presente que durante a elaboração deste trabalho notícias foram surgindo diante de nós. Como a transferência para a cidade de Nova Iorque do julgamento dos cinco possíveis terroristas que fizeram parte dos ataques e a utilização dos restos metálicos que estruturavam as duas torres na construção de um navio de guerra americano de 7,5 toneladas. No dia 26 de novembro estava assistindo ao “Programa do Jô” quando o jornalista Edney Silvestre ao ser entrevistado lembrou-se do dia dos atentados e de que foi um dos primeiros jornalistas a chegar ao local da tragédia, sendo o primeiro brasileiro. Na entrevista o atentado é colocado como um fato que mudou a História e Edney conclui: “A partir dali, tudo ficou diferente.”

Capas de Revista Sobre o 11 de Setembro

Em 2005 a Sociedade Americana dos Editores de Revista fez uma lista com as 40 melhores capas
de revista norte-americanas editadas desde 1965, dentre essas, três tem como tema o 11 de setembro.


29º lugar: Fortune – 01 de outubro de 2001.
Revista que trata de economia foca as conseqüências do ataque ao coração financeiro do país. A foto do executivo surpreendido num dia de trabalho, que era para ser igual a qualquer outro, ficou famosa por mostrar o abalo sofrido e o caos que se desenrolaria a partir de então. A revista chama a atenção para o futuro próximo dos investidores e para reconstrução do que ficou por baixo das cinzas.25º lugar: Time – 14 de setembro de 2001.
Revista de grande divulgação, a Time que circulou três dias após os atentados não apresenta manchetes em sua capa. A foto fala por si e para quem ainda tem dúvidas sobre do que se trata, uma data “September 11, 2001” aparece entre as duas torres que já não existiam mais.




6º lugar: The New Yorker - 24 de setembro de 2001
A capa da The New Yorker consegue traduzir o sentimento que se tem ao ver a paisagem de Nova Iorque após os atentados e hoje em dia. A sensação é de vazio, de que falta algo. A silhueta das torres remete a uma sombra, um fantasma do que havia naquele local.






Bill Biggart (1948-2001)



No dia 11 de setembro de 2001, Bill Biggart apanhou suas câmeras e se deslocou rapidamente para Manhattan a fim de registrar as imagens do ataque às torres do World Trade Center. Mas diferentemente de seus companheiros, ele não voltou para casa. Outros fotógrafos se aproximaram das torres naquela manhã, mas Bill - fotógrafo veterano que trabalhou em inúmeras zonas de guerra, da Irlanda do Norte ao Golfo Pérsico - sentiu a necessidade de se aproximar um pouco mais. Acabou morrendo, aos 53 anos de idade, quando a torre norte desabou. Ele se tornou o único fotógrafo profissional a perder a vida naquele dia. Milagrosamente, quando seu corpo foi recuperado dias mais tarde, também foram encontradas suas três câmeras, contendo cerca de 300 fotografias intactas. Curiosamente, minutos antes, Biggart ligou para sua esposa, informando que estava tudo bem e que logo mais estaria no seu estúdio, onde encontraria com ela. Não deu tempo, 20 minutos depois a segunda torre desmoronou.







































Trajetória

O caminho que levou Bill ao WTC na manhã de 11 / 9 levou-o através da Irlanda do Norte, no Oriente Médio, em Berlim, e profundamente no coração de racismo em seu próprio país. Como fotógrafo de notícias local, Bill escolheu-se a cobrir as histórias que mais lhe interessava, e não os de um editor selecionado. Ele se concentrou em apresentar o lado das minorias - os palestinos no Oriente Médio, o católico / IRA "problemas" na Irlanda, e as questões de índios, negros e gays nos Estados Unidos.

Em 1985, Bill recebeu seu primeiro cartão de imprensa e imediatamente fechou seu estúdio. Ele deixou a fotografia comercial por trás e entrou no mundo do fotojornalismo a preto e branco. Ele odiava a cor e só voltou a ele quando ele aceitou a contragosto métodos de fotografia digital.


Nos anos seguintes, Bill fotografados em Nova York, o racismo, a KKK no Sul, o levante palestino e campos de refugiados em Israel, a vida das pessoas na Irlanda do Norte, e a queda do Muro de Berlim.


Movimento Gay em NY


Palestina

Negros

Muro de Berlim

Irlanda

Brasil


11 de Setembro de 2001


“Ele se aproximava cada vez mais, e a medida que ele chegava mais perto, você via a reação das pessoas, e você se da conta como as pessoas estavam lidando com tudo isso...todas as fotografias de Bill foram sobre as pessoas e como elas estavam reagindo a aquilo tudo. Nós temos que nos lembrar que esta história não é sobre edifícios, mas sobre pessoas que foram afetadas pela perda daquelas estruturas”. Chip East









“Bill foi morto quando o segundo edifício ruiu, e ele foi esmagado pelos escombros. Através da sua última foto, não podemos saber como ele morreu, podemos saber de fato, é que neste momento ele estava fazendo o seu trabalho até as últimas conseqüências. Esta foto fala sobre o comprometimento que ele tinha com o seu trabalho”. Dirck Halstead



Esta foi a última fotografia foi Bill Biggart.




terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Homem Caindo


A escolha dessa fotografia tem como objetivo tratar de dois temas: a mudez sobre alguns aspectos dos atentados e os limites do jornalista. Essa foto foi feita por Richard Drew, fotógrafo da Associated Press que naquela manhã de 11 de setembro cobria um desfile de moda para gestantes e assim que soube do que acontecia, foi para o World Trade Center. A foto do homem caindo foi publicada em alguns jornais dos EUA no dia 12, como o USA Today e pela revista Esquire. Esses veículos foram duramente criticados por publicarem a foto de uma pessoa pulando do prédio, foram acusados pelos próprios leitores de sensacionalismo e de explorarem a tragédia. A reação foi tamanha que a foto não foi mais utilizada pelos meios de comunicação norte-americanos. Porém na Internet é possível encontrar essa e outras fotos e até vídeos dos chamados jumpers.

Apesar do volume informação que se teve sobre os atentados as Torres Gêmeas e boa parte praticamente em tempo real ainda existem assuntos que são tratados como tabu e silenciados. Os jumpers estão entre eles. Não há uma estatística oficial sobre o número de pessoas que saltaram dos prédios. Alguns jornais fizeram sua própria contagem, o New York Times chegou ao número de 50 pessoas, baseado no que seus jornalistas viram e o USA Today fundamentado em testemunhas e em laudos forenses, divulgou a quantidade de 200 vítimas. É sabido também que um bombeiro morreu ao ser acertado por um corpo. As autoridades não contestam esses dados.

A foto chama atenção por retratar um momento de relativa serenidade em meio ao caos que acontecia e da própria tragédia da ação. Ainda há um componente estético da posição da pessoa que se mantém na vertical, suas roupas e sapatos ajustados ao corpo que divide exatamente os dois prédios: à esquerda Torre Norte e à direita, a Sul. É o clique exato. As outras fotos que se tem de jumpers mostram momentos de agonia, roupas saindo do corpo e pessoas que parecem nadar desesperadas no vazio. Estima-se que a queda durava aproximadamente 10 segundos.

Um jornalista canadense, Peter Cheney do Toronto Globe and Mail decidiu descobrir quem era a pessoa na foto e mapeou vários pontos de referência. Chegou a um conjunto de características: seria um homem negro ou latino, de cavanhaque, com uma túnica típica de funcionário de restaurante. Com essas informações, Cheney foi em busca do homem nos cartazes de desaparecidos afixados pelas famílias em torno das ruínas do World Trade Center na esperança de reencontrarem seus parentes.

Dessa forma ele chegou ao nome de Norberto Hernandez, um imigrante latino de 42 anos, pai de três filhas, casado há quase 30 anos e que trabalhava no Windows of the World, restaurante situado a cerca de sete andares de onde o avião colidiu. Cheney comunicou sobre a identificação para a família - que já estava em choque com perda repentina de Norberto. O choque foi grande para eles, pois dentro da sua formação religiosa e cultural aquilo era visto como suicídio, logo a alma daquele homem não teria descanso no paraíso. A filha mais nova de Norberto, então com 13 anos, passou a ter alucinações e pesadelos. A matéria foi publicada e teve grande repercussão.

Boa parte dos fotógrafos que cobriram os primeiros momentos dos atentados eram norte-americanos, o que dá outra dimensão a cobertura. Mesmo com a almejada imparcialidade jornalística não há como negar que o fato do próprio país ter sido alvo de atentados não influencie na produção e na divulgação de informação. Talvez o fato de Cheney ser canadense o distanciasse o suficiente da situação para motivá-lo nessa essa busca. Fica também a questão da ética do profissional e os limites da privacidade.

A polêmica sobre a identificação do homem caindo foi tamanha que o fotógrafo Drew mostrou a Cheney toda seqüência de fotos. Então foi possível ver a queda não foi toda tranqüila, o corpo gira no ar, a túnica branca sai e revela uma camisa laranja por baixo – foi esse novo dado que invalidou a suposta identificação. De acordo com os Hernandez, Norberto não possuía nenhuma peça dessa cor.

O jornalista ainda insistiu na busca e fechou seu campo de pesquisa entre os funcionários do Windows of the World até que o irmão de uma das vítimas se pronunciou e indicou que aquele talvez fosse Jonathan Briley de 43 anos. Contudo não existe uma identificação oficial para o personagem da foto. Tom Junod, repórter da Esquire escreveu longamente sobre a polêmica da foto e traz a reflexão de que a imagem não somente por quem é aquela pessoa, mas também porque nos leva a pensar em quem nós somos, no que faríamos em situação semelhante. Para ele a não identificação faz da fotografia uma espécie de túmulo ao soldado desconhecido.

"Tumbling Woman"



A rejeição sobre o tem nos Estados Unidos é tão grande que a obra de arte Tumbling Woman exibida em uma exposição em homenagem as vítimas do 11 de Setembro no Rockefeller Center foi retirada uma semana depois de sua abertura.

O artista plástico Eric Fischl já possuía fotos de uma modelo caída no chão um ano antes dos atentados e tinha a ideia de usar como referência para uma escultura. Ao perder um amigo em uma das Torres, Fischl decidiu por o projeto em prática como ícone de um momento extremo.

O curador do museu disse ter recebido ameaças – inclusive de bomba - e protestos contra a peça acusado de exploração da dor das famílias.

A Apresentação

Apresentação feita em sala de aula: