quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Análise das Capas de Jornais do Dia 12 de Setembro

Com base na dissertação de mestrado de Deodoro José Moreira que trabalha com 58 capas de jornais do mundo inteiro dividindo-as em cinco grupos de acordo com suas manchetes, proponho uma breve análise dessas capas relacionando-as com temas abordados em sala de aula no estudo da disciplina “Narrativa e Guerra”. É valido apontar que os jornais utilizados são das mais diversas partes do mundo e que não há uma tendência ou um padrão de manchetes que leve a divisão desses jornais por países, ou seja, opiniões expressas por jornais estadunidenses, alemães, brasileiros e até mesmo árabes podem ser bem parecidas.

Em meio à efervescência dos acontecimentos do 11 de setembro, alguns jornais do dia seguinte apontam terroristas como os causadores dos ataques. É certo que no mesmo dia do evento, o governo de George W. Bush já houvesse atribuído a culpa a grupos terroristas liderados por Osama Bin Laden mas, a posição que alguns jornais tomaram diante dos fatos foi de julgamento e acusação desses terroristas que para eles eram sem dúvidas os “vilões”, mesmo que nada ainda tivesse sido provado. É por isso que devemos repensar se pode haver imparcialidade na cobertura jornalística. Também podemos encarar essas opiniões impactantes dos jornais como recursos de marketing, para chamar a atenção do leitor e suprir a “necessidade investigativa” que cabe aos jornalistas de encontrar um responsável pelos ataques naquele momento.

Parte desses jornais também colocam os norte-americanos na condição de vítimas. Como em muitas produções Hollywoodianas, o americano é o “mocinho”, o exemplo de civilidade, de moralidade, honestidade, enquanto o estrangeiro, neste caso o árabe, é o “bandido”, aquele que vem transformar a ordem em caos. Cabe lembrar que nos filmes, o americano sempre passa da condição de vítima para a de herói, que combate com o bem, ou até mesmo com a guerra, as forças do mal.

Algo que chama a atenção nas fotos é a ausência de mortos. As vítimas aparecem cobertas de pó, chorando, rezando, assustadas mas, e os mortos? Será que os fotógrafos evitaram o sensacionalismo ou até mesmo marcas de sangue estavam difíceis de se encontrar? As pessoas que se jogaram das torres do World Trade Center não foram fotografadas ou essas fotos não foram divulgadas? Talvez essa escassez de imagens mórbidas, tão comuns em outras guerras se deve à censura de tais imagens para que os EUA não fossem vistos como derrotados, fragilizados e vulneráveis diante do mundo.

Um sentimento comum do 11 de setembro permaneceu durante os dias que se seguiram e os jornais que se preocuparam com o aspecto político abordaram a questão: retaliação. O mundo aguardava pela notícia de que a qualquer momento se desenrolasse uma guerra de conseqüências catastróficas. Se falava em terceira guerra mundial e até no fim dos tempos. O que se sabia é que ninguém estava seguro pois, depois de ver a maior potência mundial virando pó diante de nossos olhos, tudo seria possível a partir dali.

Oito anos após os atentados o tema ainda é tão presente que durante a elaboração deste trabalho notícias foram surgindo diante de nós. Como a transferência para a cidade de Nova Iorque do julgamento dos cinco possíveis terroristas que fizeram parte dos ataques e a utilização dos restos metálicos que estruturavam as duas torres na construção de um navio de guerra americano de 7,5 toneladas. No dia 26 de novembro estava assistindo ao “Programa do Jô” quando o jornalista Edney Silvestre ao ser entrevistado lembrou-se do dia dos atentados e de que foi um dos primeiros jornalistas a chegar ao local da tragédia, sendo o primeiro brasileiro. Na entrevista o atentado é colocado como um fato que mudou a História e Edney conclui: “A partir dali, tudo ficou diferente.”